Conheço uma garota que namorava um corintiano e fazia juras de amor
ao clube do Parque São Jorge. Mais tarde, apareceu com um agasalho do
São Paulo. Dizia ser tricolor desde criancinha, mas só entendeu isso
quando arrumou um namorado são-paulino. Hoje, é santista. Sim, trocou de
homem de novo e embarcou na paixão do atual por outro time. Na verdade,
ela nem deve gostar de futebol. É apenas o exemplo perfeito da mulher-satélite, que segue sempre a órbita do cara com quem sai.
Aposto que você tem uma amiga assim. Conheceu-a correndo atrás de
trio elétrico usando abadá verde-limão, testemunhou a fase das camisetas
pretas do Metallica e não entendeu nada quando ela apareceu de cabelo
roxo te convidando para uma rave eletrônica. Tudo depende do cara com quem ela sai.
Por causa de um namoro, a moça é capaz de mudanças radicais, como
passar, em um piscar de olhos, de ativista vegan a frequentadora de
festa de peão e boiadeiro.
Por outro lado, é muito provável que você conheça sujeitos nada
maleáveis. É o tipo que só leva a namorada ao cinema se for para ver os
filmes que ele curte. Não falta às festas dos amigos dele, mas nunca
topa encontrar os dela. Dita até o que a mulher pode e não pode vestir
ao seu lado. Pois é, o homem-sol pensa que tudo gira em torno dele. E quando a mulher-satélite e o homem-sol se encontram, está formado o casal mais chato do universo.
Ouço vocês reclamando que os caras de hoje gostam de mulher “sem
sal”. Ou seja, sem personalidade, para eles poderem manipular à vontade.
Concordo que muitos se sentem ameaçados por moças decididas. Mas isso é
porque eles também não botam muita fé neles mesmos. Então comece a filtrar por aí.
O cara se assustou por você dar a cantada nele em vez de esperar o
contrário? Azar dele, pois parece não estar preparado para uma mulher
que sabe o que quer.
Para mim, não há esperança para o homem-sol, mas a
mulher-satélite tem cura. O primeiro passo é investir mais na
individualidade e ir atrás de atividades e compromissos que ela aprecie,
independente do envolvimento do amado. Conheço um casal superapaixonado
que até tira férias em duas prestações: duas semanas na mesma época,
para viajarem juntos, e duas em períodos diferentes, para cada um
relaxar a seu modo. Saber respeitar o espaço do outro é essencial. Uma
amiga diz que os homens são melhores em arrumar compromissos fora da
relação (não, não me refiro a infidelidade). Dificilmente, o cara abre
mão de bater uma bolinha toda semana ou desiste de encontrar os amigos
no bar, por exemplo. Já muitas mulheres deixam de fazer o que gostam para viver a vida do amado e não sabem muito como viver quando estão sozinhas.
Outro passo é compartilhar mais seus gostos e opiniões sem receio de
bater de frente com ele. A gente vive reclamando que vocês pegam no
nosso pé. Mas acho que a maioria não suportaria muito tempo uma mulher
que concordasse com ele em tudo. Acho que eu começaria a dar opiniões
polêmicas, só para ver se a forço a me contrariar um pouco. Não sei se os opostos se atraem, mas as diferenças não necessariamente afastam. Muitas vezes, elas até somam.
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