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terça-feira, 17 de abril de 2012

Relação perigosa: a mulher-satélite encontra o Homem-sol

Conheço uma garota que namorava um corintiano e fazia juras de amor ao clube do Parque São Jorge. Mais tarde, apareceu com um agasalho do São Paulo. Dizia ser tricolor desde criancinha, mas só entendeu isso quando arrumou um namorado são-paulino. Hoje, é santista. Sim, trocou de homem de novo e embarcou na paixão do atual por outro time. Na verdade, ela nem deve gostar de futebol. É apenas o exemplo perfeito da mulher-satélite, que segue sempre a órbita do cara com quem sai.
Aposto que você tem uma amiga assim. Conheceu-a correndo atrás de trio elétrico usando abadá verde-limão, testemunhou a fase das camisetas pretas do Metallica e não entendeu nada quando ela apareceu de cabelo roxo te convidando para uma rave eletrônica. Tudo depende do cara com quem ela sai. Por causa de um namoro, a moça é capaz de mudanças radicais, como passar, em um piscar de olhos, de ativista vegan a frequentadora de festa de peão e boiadeiro.
Por outro lado, é muito provável que você conheça sujeitos nada maleáveis. É o tipo que só leva a namorada ao cinema se for para ver os filmes que ele curte. Não falta às festas dos amigos dele, mas nunca topa encontrar os dela. Dita até o que a mulher pode e não pode vestir ao seu lado. Pois é, o homem-sol pensa que tudo gira em torno dele. E quando a mulher-satélite e o homem-sol se encontram, está formado o casal mais chato do universo.
Ouço vocês reclamando que os caras de hoje gostam de mulher “sem sal”. Ou seja, sem personalidade, para eles poderem manipular à vontade. Concordo que muitos se sentem ameaçados por moças decididas. Mas isso é porque eles também não botam muita fé neles mesmos. Então comece a filtrar por aí. O cara se assustou por você dar a cantada nele em vez de esperar o contrário? Azar dele, pois parece não estar preparado para uma mulher que sabe o que quer.
Para mim, não há esperança para o homem-sol, mas a mulher-satélite tem cura. O primeiro passo é investir mais na individualidade e ir atrás de atividades e compromissos que ela aprecie, independente do envolvimento do amado. Conheço um casal superapaixonado que até tira férias em duas prestações: duas semanas na mesma época, para viajarem juntos, e duas em períodos diferentes, para cada um relaxar a seu modo. Saber respeitar o espaço do outro é essencial. Uma amiga diz que os homens são melhores em arrumar compromissos fora da relação (não, não me refiro a infidelidade). Dificilmente, o cara abre mão de bater uma bolinha toda semana ou desiste de encontrar os amigos no bar, por exemplo. Já muitas mulheres deixam de fazer o que gostam para viver a vida do amado e não sabem muito como viver quando estão sozinhas.
Outro passo é compartilhar mais seus gostos e opiniões sem receio de bater de frente com ele. A gente vive reclamando que vocês pegam no nosso pé. Mas acho que a maioria não suportaria muito tempo uma mulher que concordasse com ele em tudo. Acho que eu começaria a dar opiniões polêmicas, só para ver se a forço a me contrariar um pouco. Não sei se os opostos se atraem, mas as diferenças não necessariamente afastam. Muitas vezes, elas até somam.

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